Olhar sobre Palmas é viver a cidade. Entrevista com o professor Wolfgang Teske, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), uma aula sobre a cidade de Palmas através da história da vida de um dos seus cidadãos.
Wolfgang Teske é doutorando em Ciências do Ambiente, na linha de pesquisa "Natureza, Cultura, Sociedade" pela Universidade Federal do Tocantins. Mestre em Ciências do Ambiente na linha de pesquisa "Cultura e Meio Ambiente" pela UFT, 2010. Especialista em Docência do Ensino Superior, pela Faculdade Albert Einstein. Possui graduação em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário Luterano de Palmas (TO) e graduação em Teologia pelo Seminário Concórdia de Porto Alegre (RS). É também professor convidado no Curso de Comunicação Social, Jornalismo, da UFT, Palmas, TO. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Teoria da Folkcomunicação. Possui ampla experiência na gestão em causas sociais e administração educacional. Membro efetivo da Academia Palmense de Letras, cadeira nº 17 e possui o Título de Cidadão Palmense e Título de Cidadão Tocantinense.
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| Sessão solene de entrega do Titulo Cidadão Palmense, a esquerda Wolfgang Teske. Foto: Ana Kanitz. |
Registros de Palmas: Como foi a sua chegada em Palmas, Tocantins?
Wolgang Teske: Cheguei em palmas em 1992, vim de belém estado do Pará, para o desafio de construir e implantar à Ulbra, sendo o primeiro complexo educacional do estado do Tocantins. Acompanhei toda à formação do lago e a ilha artificial. No começo aqui não tinha nada, muito poucas quadras organizadas, não tinha definição das avenidas, nenhuma quadra com calçamento, apenas parte da JK. Não tinha iluminação pública, água encanada, esgoto, poucos carros e a maioria aqui ainda eram funcionários públicos.
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| Vista do Palácio Araguaia, praça dos girassóis em Palmas. Foto: Arquivo Pessoal, Wolfgang Teske. |
Registros de Palmas: Como foi a sua vivência na fase inicial da construção da cidade de Palmas?
Wolgang Teske: Na realidade não é o que muitos dizem, que palmas começou do zero e do nada. Para Palmas para ser uma capital apropriou de outro município, nasceu à partir de uma articulação política, trazendo o prefeito Fenelon Barbosa e os vereadores de Taquaruçu do Porto. Aqui não havia uma cidade, mas havia gente e havia também um lugarejo chamado canela. Havia algumas casinhas em Taquaralto também casinhas de palha e fazendas de arroz. Palmas não começou do zero, havia. Isso é um discurso muito político mais que real, social e cultural.
Registros de Palmas: Existe algum aspecto principal na criação da capital e na formação do estado do Tocantins?
Wolgang Teske: Isso é um resultado de uma luta de muito tempo, palmas não tem um criador. Se passa muitos anos planejando, para criar o Tocantins foi preciso mais de 100 mil assinaturas. Foi uma mobilização muito grande conduzida pela Conorte. A partir disso e surge aqui neste espaço a capital com essa mobilização e assim começa chegar gente de todo o país.
Registros de Palmas: Quais eram as características da fase inicial de construção de Palmas?
Wolgang Teske: As pessoas acordavam cheio de poeira, os professores pediam aos alunos para levarem flanelas para as escolas, para limpar as mesas e carteiras. A todo momento enxergarmos caminhões de mudanças, quando eu comprei uma geladeira e fogão fomos à porto nacional ou em paraíso, porque aqui em palmas não tinha lojas ou era muito mais caro. Quando íamos no mercadinho aqui na cidade nós tínhamos que passar as mãos nos produtos nas prateleiras, de tanta poeira que tinha. Mais tarde vieram as escolas, à unitins, mais tarde o objetivo, à católica. Além disso a Ulbra foi à primeira instituição que implantou o primeiro provedor de internet no estado do tocantins.
Registros de Palmas: Como foi o processo para definir palmas como a capital do estado do Tocantins?
Wolgang Teske: Havia uma disputa entre, Araguaína, Gurupi e Miracema. A estratégia na época adotada foi colocar à capital no lado direito do Rio Tocantins. Tentando trazer desenvolvimento para o outro lado do Tocantins, em Pedro Afonso, Tocantínia. Organizaram isso na beira na serra, que vai se tornar um potencial turístico da cidade. Tava no planejamento à construção de uma usina no Tocantins e a cidade de Palmas ficaria entre a represa e entre a serra, essa foi à estratégia. Assim uma cidade planejada, que foi espelhada em Brasília, acaba tendo um olhar sobre Brasília, vemos isto nas quadras residenciais, comerciais, nas áreas onde tem escolas e nos postos de saúde.
Registros de Palmas: Como você define a sua vida em relação a cidade de Palmas?
Wolgang Teske: Sempre falo isso, eu não sou uma pessoa que vi à cidade crescer, eu ajudei essa cidade a ser o que ela é. Dando à contribuição na área da cultura, atuação na organização eclesiástica e já fiz parte da organização do Plano Diretor em 1996. Tenho minha parcela de contribuição também na área da educação, ensino e na política. Continuo nesta carreira na área da educação como docente e escritor, porque assim consigo formar opiniões.

